sábado, 1 de maio de 2010

Fim de festa


Em plenas seis da manhã, dei de cara com um monte de restos. O show da minha banda acabou às quatro, enrolei mais umas duas horas por lá, entre elogios à banda, comentários sobre a festa, bêbados tentando domar os carros desobedientes e corações partidos por tôcos.

Disse que haviam restos não foi? Pois é, refiria-me aos restos de cerveja nas latinhas, no resto de latas fechadas no freezer, no resto do caldo de feijão (que já estava gelado), no resto de voz que eu tinha no finzinho do show, no resto de energia do batera e do baixista, no resto de insistência dos bêbados que tentavam tomar meu microfone para fazer um back vocal!

Ainda haviam o resto de cantadas fadadas ao fracasso, o resto daquela vodka vagabunda que trouxeram, o resto da minha paciência com aqueles que derramavam cerveja perto da minha pedaleira (toda hora era necessário xingá-los pelo microfone), o resto de som do meu amplificador que ficava desligando.

Isso sem falar no resto de céu aberto que antecedeu a tenra chuva que ofuscou o arrebol, no resto de vontade que eu tinha de ficar ali, no restinho de espaço entre os dançantes para os embriagados se infiltrarem para chegar no portão, no resto de cigarro na carteira dos fumantes desesperados, no resto de mulheres para os galãs desesperados, no resto do cachê que foi pago depois do show, no resto de viciados que insistiam em me chamar para cheirar cocaína (mas não fui), no resto do meu microfone depois da queda que deram nele.

E por fim tinha o resto de uma noite frustrada para muitos, eu só fui lá para trabalhar mesmo, mas o resto da expectativa de muitos já estava no vermelho, houveram discussões entre amigos por causa de mulher, um outro bebeu demais por causa da mina que ele perdeu, um outro lá foi embora porque não gostava de fulano de tal. Porra! Um bando de adultos deixando resquiços de futilidades afetar uma bonita festa de aniversário. Estou estressado depois dessa. Até que a festa foi boa, mas ninguém saiu inteiro de lá, só sobrou o resto, menos da metade...

terça-feira, 27 de abril de 2010

Música Profissional


Cara! Tô cansado dessa vida de músico. Mas eu estou mesmo cansado! Saturado! Decepcionado! E todos os “ados” cujo prefixo lembre algo ruim. Estamos entre a classe de trabalhadores que mostra o que há de mais bonito no nosso país (além da mulher), e por muitas vezes o que recebemos como recompensa é um tapinha nas costas seguido de um “parabéns, você mandou bem”. Todo mundo quer apreciar a arte, mas poucos se importam com o artista. Reclamam se a gente sobre o valor do cachê, reclamam quando a gente não sabe cantar uma determinada música do fulano de tal (como se fôssemos enciclopédias ambulantes de música) e ainda reclamam quando o show acaba, sem ao menos pensar que a gente não vai aguentar nem dar bom dia amanhã, por que a rouquidão será enorme!!!

Isso sem falar naqueles caras que querem se dar bem às suas custas, também são músicos. Hoje precisam do seu cabo, do seu violão, do seu microfone emprestado. Amanhã passam por você e fingem que nem te conhece, até esbarram em você como se fosse em desconhecido. Não te chamam parar fazer parte do show para te ajudar na grana. Convidam o fulano lá da casa do caralho só porque tem um nome no mercado! Bom, essa parte do texto é só pra lavar a roupa!

Sinceramente, o que eu quero é apenas tocar guitarra, e cantar sem ter que depender disso para comer e vestir. Porque a música se tornou coadjuvante entre a maioria dos músicos de nossa época. Os própios querem ser protagonistas e estão passando por cima de muitos valores morais e éticos. Ferindo uns aos outros, e desligando laços outrora saudáveis.

Por hoje é só, acho que vou ali tocar violão...

quarta-feira, 3 de março de 2010

Da série minhas músicas: "Judite Maria"


Lá estava Judite Maria às seis da matina
Tomando um um café pra quebrar a rotina
Sair na madruga e acordar meio dia
Judite Maria sai pra dançar todo dia
E vira objeto de extrema cobiça
Se cabra safado pudesse comia

Lhe vi abrindo as janelas
E o vento batia em seus lindos cabelos
Meu peito fervia com tanta beleza que dali surgia
O sol que batia em Judite parece amarelo
De ouro que bate na testa da mina
A deusa vizinha que eu não conhecia

Mas ela me percebeu
Olhou nos meus olhos e me deu um susto
Um baque, um ataque de frases dentro do juízo meu
O sol que jogava o arrebol em cima de Judite
Me fez corajoso, me fez cabra homi
Matei minha fome na boca daquela mina

Lá eu vi o sol nascer (3x)
No arrebol meu bem querer

segunda-feira, 1 de março de 2010

Raciocinando


Tem dias em que se acorda bem, sem pretensões, motivos, vontades e com bom humor. Tudo pode permanecer normal, as coisas podem melhorar ou piorar. É curioso como somos suscetíveis a tudo, e como nos deixamos levar... como nos deixamos levar.

Hoje por exemplo, ocorreram duas coisas ruins desde que acordei. Mas não vamos falar sobre isso, nada de detalhes. Só o fato de eu ter mudado de ânimo já é uma boa pauta. E porque? Hã? Não sabe né? Não esquenta, eu também não.

Pois é, eu acho que o lance tá na gente mesmo, eu poderia muito bem deixar isso tudo passar batido, procurar uma outra solução e me manter meu estado emocional estável. Mas acho que dei muita bola ao problema e quem marcou gol foi ele. Enfim, acho que preciso de uma estratégia – não digo mudar de estratégia por que ainda não há nenhuma (aff).

(Caralho!!!) Nessas horas a gente não ri nem chora, eu por exemplo começo a mexer todos os pauzinhos ao mesmo tempo pensando: “Preciso de algo novo”. Sei lá, compor uma nova música, arranjar um emprego melhor do que esse, mudar de cidade (ah, como seria bom), casar, separar... É muita coisa para decidir num tão curto prazo de raciocínio que eu acabo por não amadurecer nenhuma dessas idéias e por conseguinte, não colho nenhum fruto.
Mas vamos ver: Eu toco violão bem, já fui locutor de rádio, vendedor, garçom, escrevo, componho músicas, tenho carteira de motorista e beijo bem. Aháá!!! (rs (esse “aháá” não foi nada, só me empolguei mesmo))

Dentro desses meus planos eu não descarto a vontade que tenho de voltar para a igreja, eu era bem mais tranqüilo. Por que no fundo, não sei se sirvo para essas coisas, cigarro, bebidas, baladas etc. Ainda tenho um pensamento muito careta, e gosto de ser assim. É, que texto heim! Desculpa te encher com essas coisas, é que eu tô meio estressado e não consigo ficar aliviado daí escrevo e escrevo!

Mas eu acho que amanhã estará tudo bem, só preciso de um bom banho e uma noite de sono no capricho para me sentir melhor, é óbvio que não vai resolver nenhuma das questões, mas estarei mais disposto para pensar sobre elas, não acha?

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Toca aquela!!!


Fazer música é bom, é muito bom. Ser músico é uma dádiva que Deus me deu. Um presente que não sei se tenho como demonstrar gratidão. Mas tem gente que não compreende essa beleza, que resume a música a algo que faz dançar ou o a um simples fundo para preencher um silêncio. Terça agora estava eu num bar aqui por perto. Por lá alguns amigos meus faziam uma noite de música instrumental – onde não há cantor, as letras das músicas são executadas pela guitarra, saxofone, violão etc. Para não ficar só naquilo, há alguns momentos em que eles chamam cantores presentes para dar uma canja e apresentar suas composições. A noite estava boa, fui até convidado a dar uma palhinha, cantei duas músicas de minha autoria. Depois, eles retomaram o som instrumental – que era a proposta da noite. Lá por volta das onze chegou uma mulher alta, loira e desbocada. Sem saber do que se tratava, começou a gritar: “Vai ficar só nisso aí?”, ou então: “Ninguém vai cantar não?”, ou: “Acaba logo isso!!!”, enfim... Putz! Todo mundo no bar se sentiu incomodado, e principalmente os músicos, que não cobram um tostão para realizar a noite. Eu estava sentado ao lado da mesa dela e me virei para repreendê-la. Fui bastante educado e expliquei do que se tratava, expliquei até o que é música instrumental, mas a tosca não entendeu. Ela só sossegou quando a última convidada assumiu o microfone e cantou os clichês de Ana Carolina e Cássia Eller. Acho que ela escolheu esse repertório só pra calar a boca da dita cuja mesmo. Por que ainda assim, se ela se arriscasse a cantar uma música de sua autoria pode ser que de alguém da platéia surgisse um grito tipo assim: “Vai ficar só nisso aí?”, “Que merda! Eu não conheço essa música!”, “Canta Jorge & Mateeeeeeeeeeeeeeeeeus!!! Aff...

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Hoje


Há dias em que nada nem ninguém é melhor companhia do que o silêncio
A liberdade de poder manter a porta fechada torna-se um conforto
As vezes me alivia o fato de poder transitar nu pela casa ouvindo a música que quero no volume que quero
Conversar com meu cachorro e ler alguns conselhos em seu olhar transparente me faz entender que sou compreendido por alguém
Pra ser bem sincero, ainda não fiz nada disso hoje, mas tudo isso faz parte das coisas que mais me acalmam
Tenho um cd de solos de gaita, (putz!) como é bom (aliás estou ouvindo ele agora).
Saí pra tocar ontem, recebi meu menor cachê, quebraram quatro cordas da minha guitarra, eu estava cantando e fiquei rouco no meio do show, rs, parece piada!
Meu pai acabou de entrar no meu quarto xaropando porque eu não fui almoçar. Ele não sabe que tinha rango na geladeira. Aliás, ele nunca sabe. O que interessa a ele são só os ovos e o refrigerante.
Mas estávamos falando de mim não é mesmo.
Mas pra ser bem franco, acho que por hoje acabou assunto. Secou a fonte. Foi-se a inspiração.


Cara (putz!) agora eu tô ouvindo a faixa 11 do cd de gaita. Se quiser, posso fazer uma cópia pra você amigo leitor. É só enviar o pedido para: juniorsattamini@gmail.com , não esqueça de colocar endereço com CEP e eu envio gratuitamente. É sério!!!

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Música


Eu ontem vi um Girassol amando um pássaro
Não tinha asas nem bico, não voava, não era um pássaro
Sonhava em ter um beijo do bichinho voador
Queria voar o dia inteiro ao lado do seu amor

E veio a ave, sacou alguns olhares daquela flor
Pensou ligeiro, vou sentir seu cheiro, o seu odor
Duas espécies diferentes se amaram sem cobertor
Mais uma prova que não há limites pro amor

Não, não há limites pro amor
Não, não há limites pro amor
Não, não há limites pro amor
De um Girassol e um Beija-flor

Dá série: "Só pra não passar batido..."


"Sem sombra de dúvidas, o maior prazer do ser humano consiste no ato de mijar!"

Jr.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

O samba


O samba tá nas veias do brasileiro

Da primeira hora do dia

Até o minuto derradeiro


Ele samba pra sair de casa

Rumo ao trabalho diário

Ele samba sozinho no juízo

Até que consegue um atalho


Senão, o pobre brasileiro

Se atrasa e não chega no horário

Não confia só na lotação

Que não cumpre seu itinerário


Volta ao lar sambando feito louco

Pra beijar a patroa

E saciar a fome

Sobre o velho pão com ovo

Na casinha de madeira

Quase no pico do morro


Termina o dia do brasileiro

Junta as forças pra no outro dia

Juntar um pouco mais de dinheiro

No seu velho samba de breque

Não sei como alguém consegue

Sorrir com tanto molejo...


quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Teimosia


Por um triz você pega
Ou por dois trizes você me cega
Pois apela ao me ver com ela
Com um paliteiro quase minha vista afeta

A repreensão tu não encerra
Vou-me embora
Deixo a porta entreaberta
Num xingamento de alfa a beta

Procurei a pista certa
Nesse vaivém que num cessa
Perguntando mesmo: “Se você te presta?”
A reconciliar-te com um cabra que num acerta

A arriscar em outra paixão incerta
O querer tão raro
Que numa outra vida ou que seja nessa
Vais amar, amar, amar à bessa

Mas vou narrar um fato
E ouça só, ouça essa
Existia um cara, com a seguinte escrita:
“Te chifrei”, no meio da testa

E com tal chapa na fronte só lhe resta
Adivinhar as fuleiragens e festas
Para aproveitar o bagaço
Pois será tudo o que lhe presta

Tão pequeno moído que passará na fresta
Da porta que firmemente agüenta
As fortes batidas e moléstias
De brigas e amores infinitos e sem modéstias

A um amigo meu... (...baixo roubado)


Te levaram, e agora?

Quem vai falar por nós? Ou por mim?

Quem vai agora arrancar-te os sorrisos?

E que dir-te-á ao bailar?

E há de bailar contigo, ó tocador?

Te desafiar à porrada em suas grossas cordas?

Mirar-te da ponte ao cabeçote?

Da solda fixada ao captador de dedos?

Onde estará tua profunda atividade senão na palma de teu dono?

Ó meu instrumento de extenso de braço anabolisado!

Contra trastos a mais, e casas a sobrar em meus membros unhosos!!

Crescem as exclamações para meus gritos!!!

Esperando tu expelires tais melodias!!!

Quais fores tuas mãos guias!!!!!

Sejas melódico e contagiante!!!!!!

Pois já contagiaste a um. Contagia, agora pois, a outro ser!!!!!!

Faze-o requebrar nesses compassos estranhos que outrora soaste!!!!!!!

Fora, sim, aceso em chulas caixas...

Mas que em sentimentos mil, sobrepujaste o cantador irado pela tua performance!

Ouvindo tudo o que ouviste!

Digo-te só uma coisa:

Sejas vivo por uma época!

E sejas companheiro e conserva-te sem arranhões..

Até nos encontrar novamente.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Baladas e futilidades


Pensei em analisar a noite de hoje! Pois bem , analisemos!

Fui à uma balada, (antes de tudo, estou embriagado! Desculpe-me os erros )

Vi mulheres lindas, dignas de uma breve cobiça, a não ser pelo fato de exigirem uma certa racionalidade, no mínimo. Não havia ninguém! Absolutamente ninguém!

Eu estava bêbado, absolutamente! Mas não perdi minha consciência tampouco meu senso de intelecto! Mesmo bebido, comecei a meditar nos motivos de uma delas se sentir gostosa!!! São tantos: Bunda grande, rebola bem, tem uma boca sexy, ou uma fama qualquer... etc...

Para mim não passa, de subterfúgios para ser “pegada”, da uma com um cara que tem um som massa no carro ou algo do tipo.

A gente (homens) não é ta queimado quando freqüenta este tipo de ambiente, mas vcs (mulheres) caem na brasa da boca do povo! Enfim a galera acha que ta tudo liberado quando vocês estão nesse tipo de lugar!!!

Poxa vida, eu estava nessa festa só para extravasar um pouco, para beber e conversar, mas chegaram muitas coisas aos meus ouvidos que me motivaram a escrever isto!

Poxa vida, eu sei que vocês não devem nada a ninguém! Mas se cuidem um pouco mais. Às vezes os ambientes lhe são uma característica (e tanto) ...

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Intenso e desnecessário


Não sei porque você falou aquilo naquele dia

Tu deve ter achado

Que eu não iria sacar nada

Só porque eu tava na euforia


Nada me deixou menos lúcido

Nem o Brown, nem a cerva

Só dei uma voada

Quando você começou com aquelas merdas


Aí cara! Não me leve a mal

A noite tava boa

Mas seu comentário intenso e desnecessário

Acabou com todo o astral


Fiquei puto pra caralho

Tentando achar um motivo

Para as palavras que você disse

Impróprias para o horário


Poxa irmão, desencana!

Eu gosto de tu pra caramba

Mas na boa, não insista em lutar

Por alguém que não te ama


Por que com esse seu papo paia

Será um pouco tarde

Quando com esse tipo de potoca

Perder algumas boas amizades

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Um pouco de saudade


A saudade pode se tornar um dos males da vida. Depende da ênfase que se dá a ela. Quanto maior o espaço que a gente cede, mais ela se estica.
É fácil de ser alimentada: Uma cadeira vazia na mesa, um espaço a mais no sofá, ou uma ausência no MSN, são meios pelos quais ela se multiplica dentro de cada um de nós. Amigos, algum cachorro legal, um alguém especial (é um flerte fatal).
As músicas lhe são também um eficiente adubo, aqueles temas de Bon Jovi, Creed, Paralamas, fazem a árvore aparecer repentinamente com frutos de melancolia que não queremos deixar de colher. Pois, por mais nostálgicos que nos faça sentir, de um certo (e curioso) modo gostamos de estar assim. Significa que ao menos temos algo para sentir falta, temos um histórico! O vazio que se instalou dá-se porque tínhamos algo ou alguém, e se isso ou esse não retornar, temos a insistente esperança de que um outro está por vir, e quando vier lançará por terra os motivos ruins para caminhar à noite ouvindo músicas depressivas. E trará um ar puro ao pulmão.
Só então, finalmente, sentiremos uma nova saudade, mas só por alguns minutos ou horas. Pois dessa vez haverá alguém por perto.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Desabafo

A confiança é como uma montanha muito alta a ser escalada. Tem aquelas pedras escorregadias, aqueles insetos que a gente não conhece, cipós que não são confiáveis. Não há atalhos nem mapas, tudo é súbito. Enfim é um martírio!
Algumas pessoas que eu não esperava, pisaram em falso e caíram da minha montanha essa semana. Fico pensando no que elas farão para subir novamente (caso queiram né). Eu costumo facilitar o acesso ao topo, como já disse em algum texto anterior: “costumo acreditar nas pessoas” e não é por que isso aconteceu que essa crença será lançada por terra.
Pois apesar dos defeitos, sei que sou um cara legal. Sei ser amigo, gentil etc. Vou continuar dando a mão a quem se predispuser a subir. Vou mostrar como a paisagem lá de cima é bem bonita. Cheia de música e boas palavras.
É isso...

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Justificativa


"Digo que sou vagabundo por que creio que o ser humano precisa de períodos de vagabundagem, seja para ficar à toa ou para intraconfinar-se numa reflexão filosófica. Eu por exemplo, reservo alguns períodos para isso!"

Jr. Sattamini

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

A música e nós


O guitarrista da minha banda tomou uma decisão. Que me afetou não mais do que a ele.

Como sabemos, a vida é feita de escolhas, suas conseqüências são resultados das somas e subtrações que configuram essas decisões.

Bom, ele estava noivo quando o convidamos para tocar conosco, ele prontamente aceitou a proposta. Mas a noiva do rapaz começou com aquelas crises de possessivos o atacou: “Você escolhe, ou eu ou a música!” A resposta foi quase automática, o guitarrista assinalou a letra “b” na mesma hora e entregou o gabarito. Para terminar ela encerrou: “Tudo bem, então vá para o inferno você e sua música”. Ele não foi para o inferno, mas foi com a gente tocar num show no mesmo dia do fatídico.

Na boa! Isso não entra na minha cabeça (apesar do tamanho dela). Na condição de músico, sei perfeitamente o quanto somos assediados, só que ainda não me jogaram calcinhas nem sutiãs. Isso é normal na nossa profissão, e como observamos acima, essa garota estava insegura quanto à seguinte questão: “Eu não sou essa coisa toda, então se aquele galinha ficar rebolando com a guitarra, alguma piranha mais bonita do que eu vai arrastar a cauda (que ódio)”. É óbvio, ela estava insegura e descontou no camarada exigindo uma decisão um tanto injusta.

Somos músicos e amamos a música assim como podemos amar nossas esposas, namoradas etc. Mas a música será sempre um amor eterno. A música nunca irá pedir divórcio, nem o fim do namoro. A música nunca pedirá para eu largar minha namorada ou esposa, que seja! A música nunca pedirá para ser exclusiva, muito pelo contrário, ela quer ser compartilhada. O egoísmo não faz parte da vida de um músico verdadeiro, está em nós repartir o pão, repartir os sentimentos de cada acorde e dissonância.

A música não é exclusividade nossa e não somos exclusivos dela nem de ninguém, ainda mais de um ser que pode a qualquer momento nos virar as costas.